sexta-feira, 27 de agosto de 2010

SESSÃO SOLENE

I SESSÃO SOLENE

A nossa primeira sessão solene teve o objetivo de comemorar o dia do filósofo, homenagear pessoas que promovem a filosofia, e instituir o dia do filósofo e da filosofia no Acre.

Foram homenageados “in memoriam” os Professores José Mastrangelo e Raimundo Macedo, os Acadêmicos José Sales de Contreras e Ana Eunice Moreira Lima, e o Bispo Dom Giocondo Maria Grotti.

Receberam Diplomas de Honra ao Mérito, os Professores Francisco Assis Ferreira dos Santos, Guilherme da Silva Cunha, João Azevedo do Nascimento, Manoel Coracy Saboia Dias, Maria Ivanilda Souza da Silva, Nilo Zannini, e o Bispo Dom Joaquím Pertiñez Fernández.

A solenidade se deu em dois momentos: tendo início no dia 14 e término no dia 23 de agosto de 2010.


ALGUNS PRONUNCIAMENTOS:


Pronunciamento de Maria Lair em 14 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.

Boa noite a todos...
Cumprimento-os na pessoa do Glicério Gomes, Presidente da Academia Acreana de Filosofia.

Eu não poderia falar pela minha turma, nem para a minha turma, muito menos falar de Ana Eunice Moreira Lima, sem antes citar um fragmento do poema Bons Amigos, de Machado de Assis: “Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente!”

Éramos de uma recém iniciada turma do curso de filosofia da Faculdade SINAL. Mesmo de encontro recente já formávamos uma turma coesa, de muita afinidade. Durante as aulas na interlocução com os mestres, e nas atividades de campo como as reuniões de trabalho em grupo pude notar que alguém se destacava. Eu jamais poderia imaginar e aceitar que a passagem daquela pessoa pudesse ser tão rápida e sua permanência tão curta e marcante em nosso meio.

Lembrar hoje em dia, e especialmente nesse momento é ponderável acalentamento apenas por saber mesmo sem querer aceitar que temos poucas coisas boas e pessoas a serem lembradas.

Ana Eunice; filha, irmã, esposa, amiga, mãe... Vivia feliz ao lado do companheiro Tião e dos filhos Stênio e João, mesmo em uma sociedade que não tem como prioridade plena a vida humana. Ana (do hebraico: a cheia de graça ou a bem feitora) trabalhava, estudava e sonhava. Sonhava com um mundo melhor talvez. Talvez sonhasse com um mundo melhor para as outras pessoas.

Passou um tempo que é uma vida, a vida de Ana, despedida não se deu e a partida não se deu por inteiro. Notável foi sua presença. Notada e sentida é a sua ausência.

Ficaram belas recordações de bonitas ocasiões, e essas recordações ficam bem guardadas, e sempre bem lembradas nos atos afetos a vida acadêmica, nos relatos do cotidiano, e na simplicidade de colher uma rosa sabendo que outra rosa em breve nascerá.


Pronunciamento de Guilherme Cunha, fundador da Academia Acreana de Filosofia em 23 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.


UM BOM FRUTO AMAZÔNICO

A Amazônia pariu bons filhos, sua fauna e flora embelezam e encantam os que convivem no seu seio. Tudo é muito bonito, mas o que mais soma à beleza natural é a beleza das ações humanas que engrandecem o modo do Homem viver em sociedade.

No palco da beleza amazônica, especificamente no Estado do Amazonas, na ilha do Jacurutu, nasceu mais um fruto bom e belo, MARIA IVANILDA SOUZA DA SILVA, que aprendeu muito cedo a nadar nas águas caudalosas do majestoso Rio Solimões, comeu bastante peixe com farinha, como boa amazonense que é. Aprendeu a pescar com o velho Joaquim, homem de habilidade ímpar com o arpão na mão. Viveu na ilha do Jacurutu aproximadamente até seus 14 anos de idade. Logo depois, atraída pelo “boom” da Zona Franca de Manaus, veio viver e trabalhar no Parque Industrial de Manaus.

Cursou Filosofia na Universidade Federal do Amazonas, onde se destacou como excelente acadêmica, em seguida, veio morar em Sena Madureira, onde foi professora de Filosofia no Ensino Médio, desenvolveu vários projetos culturais pela Fundação Elias Mansour do Governo do Estado do Acre. Em 2003, inicia sua peregrinação pelo magistério superior, sendo professora de Filosofia da Universidade Federal do Acre, das faculdades Sinal, IESACRE e FERB. Em 2008, se efetiva como professora de Filosofia da Rede Estadual Pública de Educação e, em 2010, tornou-se professora de dedicação exclusiva do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre – Campus Rio Branco. Portanto, MARIA IVANILDA SOUZA DA SILVA, fundadora da Academia Acreana de Filosofia, faz jus à esta homenagem.


Pronunciamento de Maria Peregrina fundadora da Academia Acreana de Filosofia em 14 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.

Senhor presidente!

Senhoras e senhores presentes!

Uma saudação especial aos meus pares Imortais da Academia Acreana de Filosofia.

Existe vasta e folclórica literatura relacionada a Guilherme de Orange, e a Guilherme Tell. Reportar-me-ei ao Guilherme original, ao que eu conheço, ao meu conterrâneo de Sena Madureira. O amigo, o intelectual, o poeta, o professor Guilherme da Silva Cunha. A trajetória do filósofo provocador, irreverente e hábil na arte de educar inclina o mundo a uma nova divisão de tempo a.G. d.G.

Em contato breve e recente com as Eneadas de Plotino, especialmente a primeira que trata do homem e da moral, li que alguns valores individuais se tornam sociais tornando-se leis em seguida, e que não existe lei sem uma ética que lhe sirva de cunha. Cunha é o sobrenome do professor Guilherme, e, me faz lembrar um instrumento que serve para rachar lenha, fender pedras, vedar fendas, ajustar encaixes, e, principalmente dar firmeza ao cabo da ferramenta.

O Professor Guilherme em suas aulas tem dado demonstrações de verdadeiro amor e compromisso com a filosofia. Um homem de posições firmes calçadas pelo vasto repertório e cardápio argumentativo. Muitas vezes contestado, porém, compreendido pela eloquência e pela simplicidade com que se expressa.
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Essas palavras de Nietzsche podem claramente ser ajustadas e acopladas ao parágrafo brevemente acima para reforçar um argumento ou corrigir uma expressão.
Quem conhece o Professor Guilherme sabe que lhe é merecido o devido respeito. Seus feitos, sua contribuição e lealdade com a filosofia e com os amigos são impagáveis. Sabemos que essa homenagem é justa, porém, não mensura o valor do mestre. É apenas uma forma da Academia Acreana de Filosofia dizer muito obrigada.

Pronunciamento de Glicério Gomes, fundador e presidente da Academia Acreana de Filosofia em 14 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.

Boa noite senhoras e senhores...

Aos aqui presentes os meus sinceros agradecimentos...

Alguns costumam dizer que os seres humanos aqui na Terra só são realmente conhecidos quando têm o poder na mão. Enquanto eles não o têm, a própria vida controla seus impulsos e suas reações. Mas dê-lhes o poder e assim se poderá medir se a criatura realmente está madura ou não.

Esta foi uma das primeiras lições que aprendi com o meu velho pai. Outras grandes e importantes lições aprendi no transcurso da vida. E as últimas grandiosas e igualmente importantes lições aprendi com o professor Assis.

Muito me honra estar aqui, esta noite, na condição de presidente da Academia Acreana de Filosofia. E especialmente por me dirigir ao homem responsável pela implantação da primeira instituição de ensino superior em filosofia no Acre.

Aquela não era uma tarefa qualquer. É a missão de um homem que tem sonhos, um sonho especialmente. O professor Assis, ao longo dos anos vêm concretizando o ideal de formar pensadores, o ideal de organizar de maneira sistemática, pedagógica e didática e em sequência todas as etapas e procedimentos, indo da escolha do estado, da cidade, ao discurso na entrega do diploma.

Sinto-me muito mais orgulhoso em poder presidir a sessão que homenageia uma grande expressão do trabalhador dedicado à árdua função de educar.

Do riquíssimo Patrimônio Cultural do Brasil faz parte esse grande homem.

Prezados senhores e senhoras, o amor pela filosofia e a responsabilidade de formar cidadãos desconhece fronteiras. A prova do que digo está na pessoa do próprio professor Assis, ora homenageado.

Nascer e adolescer correndo atrás de calangos entre as bibocas e baiúcas na terra de José de Alencar, foi pra ele uma diversão. Esperar a chuva de “Padim Ciço” lhe causou inquietação, combustível para o precoce filósofo arribar dali. Rodando pelo vasto rincão tupiniquim encontrou o caminho do Aquiri onde presta inestimáveis serviços à comunidade acreana. Tendo nos breves anos passados implantado, e hoje dirigindo a Faculdade de Teologia e Filosofia Sinal, o professor Francisco Assis Ferreira dos Santos escreve o seu nome na história.


Pronunciamento de Francisco Lopes, fundador da Academia Acreana de Filosofia, em 14 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.

Inicialmente, saúdo a Mesa na pessoa do dileto amigo Glicério Gomes, Presidente da Academia Acreana de Filosofia.
Agradeço ao querido amigo Antonio Gomes, por com sua presença dar um brilho especial a esta Sessão.

Agradeço ainda a presença de todos que se esforçaram para aqui estar nesta noite. Acredito estar aqui a fina flor, o néctar do pensamento acreano. Creio estar o genoma cromossômico germinativo do pensador do terceiro milênio presente nesta Sessão Solene.

O que nesse momento se presta ao Professor Manoel Coracy Saboia Dias seria de nossa parte atitude mesquinha e presunçosa imaginar que um homem de tamanha envergadura intelectual e moral, que finca os pés nesta terra e embasa de forma marcante a história da filosofia no Acre, seja do tamanho de uma homenagem, por melhor que seja a intenção.

Os grandes homens vultos da humanidade evidentemente não precisam disso. A satisfação que sentem está no resultado das obras que, de alguma forma, ajudam a edificar, independentemente de terem seus nomes lembrados ou não.
Ao professor Coracy esta singela homenagem é extremamente secundária e está muito aquém do valor e da marca estampada de sua presença entre nós.

Todavia, é imprescindível esse registro na Academia Acreana de Filosofia - tantas manifestações aconteceram e tantas homenagens foram prestadas - e tinha de ser no dia do filósofo, e não poderia ser em outra circunstância.

Não cabe aqui relatar fatos e atos da trajetória do Mestre, mas, enaltecer a sua missão.

O encontro com a filosofia precede imediatamente a tomada de consciência. O ser passa a existir e se torna humano. E foi sob a batuta do mestre que muitos tomaram consciência de si, e sob a mesma brevemente o momento em que uma parcela da humanidade, pela primeira vez, terá acesso, de maneira racional e organizada, a informações que explicitam o funcionamento do espírito humano descortinando respostas concretas e pragmáticas para o tripé essencial da filosofia humana: de onde viemos, para onde vamos, o que estamos fazendo aqui.





Pronunciamento do Professor João Azevedo em 23 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.

Senho Presidente!

Senhoras e senhores presentes!

Nascido em Castelnovo Monti em 12 de novembro de 1934, iniciou sua vida escolar nas escolas elementares daquela cidade aos cinco anos de idade. Nos anos 1944 – 1945 teve suspensas suas atividades escolares por estar Castelnovo Monti, na condição de frente de batalha na segunda guerra mundial, tempos de fome miséria e morte. Nesse contexto conheceu a dor e a barbárie de ver sua Irmã de 17 anos, ser fuzilada dias depois do aniversário de sua mãe em 29 de junho de 1944. Terminada a guerra, Nilo Zannini participou (como toda criança naquela época) da reconstrução da cidade e voltou à escola.

Aos quatorze anos, 1947, no seminário maior da Diocese de Reggio Emília, ingressando no liceu clássico de Filosofia e Teologia, seminário maior, em 1953. Sete anos depois foi ungido sacerdote.
No mundo das artes nosso ilustre Nilo participou como figurante em diversos filmes dirigidos por Dino De Laurentis e no filme do autor Francês Fernadel, onde fez, entre outros, papel de Gladiador.

Sua vida como dirigente acadêmico iniciou em 1962, ao ser nomeado Reitor da igreja N.S. Im Coelim Assumpta de Succiso, chegando a Salvador, Brasil, em 18 de novembro de 1965.

Na Bahia, logo encontrou seu caminho acadêmico lecionado educação artística no ginásio da Fraternidade de Irecê. Por ironia do destino, ou vontade própria, aterrissou no dia 24 de abril em 1968 (em um DC3) em Rio Branco no Acre onde permanece até hoje. Durante 12 anos dirigiu a colônia Souza Araújo na intenção de humanizar e amenizar o isolamento e discriminação do povo Hanseniano.

As perseguições políticas não o impediram de lecionou durante 40 anos História, Português, Francês e Educação Artística nas escolas públicas do Estado do Acre. Mesmo aprovado em primeiro e segundo lugares nos concursos daquela época, foi impedido pela censura do regime militar de lecionar filosofia na Universidade Federal do Acre, por mais de trinta anos.

Depois de alguns anos, teve seu contrato autorizado, passando a atuar naquela instituição como professor substituto de Latim, Filologia Românica, Grego e Italiano, vindo a aposentar-se com varias publicações na gráfica da UFAC.

Mesmo depois da aposentadoria, nosso estimado, sábio mestre, não se deu ao luxo do descanso, como o grande articulador que sempre foi, conseguiu a voluntariedade de velhos amigos, o que possibilitou a efetiva fundação da Faculdade Diocesana São José, onde atua a mais de dez anos na tarefa de tornar o Acre um dos mais jovens espaços brasileiros na formação filosófica.

Nillo Zannini, nosso memorável mestre que não se cansa da tarefa de ensinar, neste momento solene a Academia Acreana de filosofia tem a hora de reconhecê-lo como pilastra central da formação acadêmica no campo da Filosofia deste Estado, zelando por sua imortalidade intelectual e eternizando o bom nome de sua família pelo transcurso da eternidade desta Academia. Receba com nosso carinho e apreço, essa singela homenagem como reconhecimento de seus relevantes serviços prestados à formação do pensamento filosófico acreano, com louvor e votos de que te conduzas oh grande Gladiador dos campos do saber filosófico, pela eternidade dos tempos.



Discurso do Professor Nilo Zannini, ao se tornar Imortal da Academia Acreana de Filosofia, em 23 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.

Boa noite!

Compartilho com todos, a felicidade e a alegria desse momento.

A amizade com a filosofia consolidou-se ao longo da existência com as peripécias da vida, por longos anos fomos calados, com medo, que o nosso raciocínio junto ao povo, se transformasse em ideias libertadoras. Por trinta anos a minha licenciatura em filosofia dedicou-se ao ensino de educação artística, mas nesta noite, quero compartilhar com Vossas Senhorias o prazer de rever as origens do “LOGUS” na antiga e sempre sofrida Civilização do parto Helênica Logus meio.

Depois homérico das duas grandes obras Ilíada e Odisséia, no Século VII aparece Hesíodo, o transformador da poesia épica para lírica, usando um raciocínio mais real que levasse o povo, na declamação dos versos à raciocinar.


HESÍODO

“Primeiro que tudo houve o Caos, e depois a Terra de peito ingente, suporte inabalável de tudo quanto existe, e Eros, o mais belo entre os deuses imortais, que amolece os membros e, no peito de todos os homens e deuses, domina o espírito e a vontade esclarecida.


Do Caos nasceu o erebro e a negra Noite, por sua vez, o Éter e o Dia.


A terra gerou o Céu constelado, com o seu tamanho, para que a cobrisse por todo e fosse para sempre a mansão segura dos deuses bem-aventurados. Gerou “ainda as altas Montanhas morada aprazível das deusas Ninfas que habitam os montes cercados de vales”.

Hesíodo em sua poesia, fala da vida agrícola, da vida real, transformando assim a poesia épica homérica numa poesia menos triunfalista e mais perto da realidade da vida.


Segundo Pausânia no vale das Musas da Beócia, se reconhecia como autênticas somente “Os trabalhos e os dias”. São os versos 582 a 596 desse poema que passamos a tradução:


VERÃO - Quando floresce o cardo e, na árvore a cigarra verte de sob as asas doce canto estrídulo, no tempo em que o verão é fatigante, mais gordas veem-se as cabras e melhor o vinho, mais sensuais as mulheres, débeis os varões: - Sírus lhes queima a fronte e os joelhos, e o calor lhes seca a pele. Oh, possa eu ter, nessa ocasião, a sombra de uma rocha, vinho bíblino, pão e leite de cabras que já desmamaram, e carne de novilha que pastou no bosque e ainda não deu cria, ou, caso falte, de cordeirinho do primeiro parto. E possa eu, para beber o vinho negro à sombra me estender, de coração feliz com o meu banquete, e, dando o rosto ao vento oeste, junto à fonte perpétua, viva e imperturbada, mesclar três partes de água e uma de vinho.


ARQUILOCO

COM A LANÇA - Com a lança eu alcanço meu pão de cevada; com a minha lança eu consigo o meu vinho ismárico na lança apoiado eu bebo este vinho.


SOMBRAS - Com um ramo de mirto e uma bela rosa ela brincava; e os cabelos lhe caíam pelos ombros e pelas costas, como sombras...


A GRANDE ARTE - Tenho uma grande arte: eu firo duramente aqueles que me ferem.


SAFFO

LUA CHEIA - As estrelas ao redor da bela lua, longe o brilho escondem quando, mais plena de fulgor, ela se entorna pela terra toda.


O VENTO - O Amor sacode meu coração, tal o vento caindo sobre os carvalhos das montanhas.

ALÍVIO - Chegaste, quanto, eu, amada, com ânsia te desejava, destes alívio à minha alma em chamas pelo desejo.


ESTRELA DA TARDE - Estrela da tarde, tu que reconduz quanto a aurora luminosa tinha perdido.


ROUXINOL - Rouxinol amável, doce voz, mensageiro da primavera.


ALCEU


ESPELHO - O Vinho é o espelho do homem.


O LOUCO - Um turbilhão rapiu-lhe completamente a mente.


MÁXIMA - Se falas o que queres ouvirás também o que não queres.

SIMONIDES

AOS QUE MORREM NAS TERMÓPILAS - Dos que morrem nas Termópilas ilustre foi a sina, bela a morte; seu jazigo é um altar onde as lembranças são as librações e os louvores o vinho derramado.


Sobre esta pedra não terá poder o musgo nem mesmo o tempo que domina tudo: na tumba dos heróis habita agora o resplendor da Grécia.


Atesta-o Leônidas, ó rei de Esparta; do qual bravura e glória eternamente brilham.


Mais uma vez muito obrigado por este momento, felicidade e vida longa a todos.




Pronunciamento de Francisco Lopes, fundador da Academia Acreana de Filosofia, em 23 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.


Senhor Presidente!

Senhoras e senhores, obrigado por vossas presenças.

Depois da performance do Professor Nilo, creio que o silêncio seja o melhor discurso.

Mas me pronunciarei a respeito do Doutor João Azevedo do Nascimento.

Me sinto honrado em pertencer a Academia Acreana de Filosofia, e compartilho com os demais acadêmicos o júbilo de ter o Dr. João como imortal.

O João é uma dessas pessoas que justifica a danosa presença e a demorada permanência do ser humano na terra. Por ser quem é e por agir como age, absolve a humanidade da demência, libertando-a do julgo nefasto-mitológico.

A atuação do João dentro da Academia Acreana de Filosofia nesse breve tempo tem demonstrado seu comprometimento com a causa coletiva, especificamente a causa do outro, na forma intransigente de defender a liberdade e no método prático de organização, porém, sem ocultar o lado humano o que nos leva a lembrar a reflexão de Antoaine Saint-Exupéry “Para que haja uma árvore florida, é preciso haver antes uma árvore; e, para haver um homem feliz, é preciso haver em primeiro lugar um homem”.

Tenho observado a forma dedicada do João Azevedo exercer seu ofício de professor, a seriedade com que aborda os assuntos correlatos ao cotidiano e ao ambiente em que vive.


Impressiona a forma solidária como trata os amigos e impressiona infinitamente mais a forma como é tratado pelos amigos. É também impressionante a liderança exercida, a segurança e a confiança transmitidas.


“Se ao escalar uma montanha na direção de uma estrela, o viajante se deixa absorver demasiado pelos problemas da escalada, arrisca-se a esquecer qual é a estrela que o guia”. Se nessa segunda reflexão de Saint-Exupéry o professor João fosse a estrela-guia, talvez ela brilhasse mais forte ou desse uma piscadela para reconduzir o viajante a direção certa.




Pronunciamento do Professor João Azevedo em 23 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.


Agradeço imensamente ao Criador por nos permitir esse momento.

Nascido no dia 22 de setembro de 1952 na cidade de Monachil, Granada na Espanha, esse ilustre bispo da Diocese de Rio Branco, mostrou desde muito cedo ter talento para ser um homem das letras. Formado na Escola Normal de Granada, conseguiu seu primeiro Titulo de Maestro de Primeira enseñanza, depois de sua emissão na carreira sacerdotal em 11 de agosto de 1974. Foi durante onze anos vice-prefeito e depois prefeito no Seminário São José, de sua ordem, em Ladosa. No final dos anos oitenta veio para Lábrea, Amazonas, onde atuou como vice-pároco e fundou o “Centro Esperança.” que ajudava crianças carentes.


Após dez anos de trabalho pastoral em Lábrea foi convidado no dia 30 de março de 1998 a exercer o cargo de Delegado Provincial para a América Central, com sede em Cartago, Costa Rica. De volta ao Brasil foi ordenado Bispo da Diocese de Rio Branco em 30 de maio de 1999.

Na Qualidade de Sacerdote maior da Diocese de Rio Branco, uma de suas primeiras ações foi criar a Faculdade Diocesana São José-FADISI, na qual implantou o primeiro curso de Filosofia do Estado do Acre. Com esta atitude nosso iluminado Bispo, deu à comunidade acreana a oportunidade de ter em seu seio, a primeira instituição de ensino voltada à formação de formadores de opinião.


Dado ao fato de que no momento de sua chegada ao Acre o curso de Filosofia estava, sob o censura do regime militar, a mais de trinta anos impedido de ser ministrado em escolas públicas ou particulares deste País, fazia-se presente a necessidade de um curso de tal envergadura em qualquer Estado brasileiro naqueles dias. A feliz ideia de criar a FADISI com um curso de tal envergadura veio possibilitar aos acreanos provar que, no Acre há uma escola direcionada a arte do bem pensar e, consequentemente, hoje o Estado do Acre é, também, um estado de “pensadores”.

Nesses poucos anos de existência da Faculdade Diocesana São Jose, escola idealizada por esse celebre Bispo, a FADISI já formou, entre seus cursos de graduação e pós-graduação mais de setenta pessoas, provando a carência do referido curso e a vontade dos membros da comunidade acreana em inserir-se definitivamente no mundo filosófico-intelectual.

Diante do exposto, muito nos honra dizer ao nosso Bispo Don Joaquím Pertiñez Fernández, o quanto estimamos tê-lo conosco, seja na qualidade de Bispo seja na qualidade de intelectual e mestre formador dos futuros pilares desta sociedade.

Memorável Don Joaquím, neste momento solene, a Academia Acreana de Filosofia faz questão de reconhecer sua importância no universo filosófico- acadêmico do Acre fazendo-lhe esta singela homenagem, ao mesmo tempo em que se compromete, com a ajuda de Deus e dos homens, a torná-lo tão imortal quanto eterno for a existência desta academia.

Dizemos ainda, com este pequeno gesto, esta academia passa a ser tão sua quanto o senhor é o emérito fundador da FADISI, pois sem o primeiro curso de Filosofia do Acre, não teria sido possível a existência da Academia Acreana de Filosofia. Assim, damos ciência à comunidade acreana que, de maneira indireta, o Senhor também é fundador desta academia. Ditas as verdades necessárias, rogamos a Deus que continue iluminando seus caminhos na missão de dirigente religioso e formador acadêmico de nosso Estado e, consequentemente, do Brasil por muitos e muitos anos, Amém.





Discurso do Bispo Dom Joaquim ao se tornar Imortal da Academia Acreana de Filosofia, em 23 de agosto de 2010 por ocasião da Sessão Solene alusiva ao dia do filósofo.

Boa noite e obrigado a todos.

Me sinto feliz, lisonjeado e agradecido.

Também surpreso pelo surgimento da Academia Acreana de Filosofia. Acredito e torço para que daqui surja um ou mais nomes de expressão mundial.

A RAZÃO À PROCURA DA FÉ

“Não procures fora! Volta-te para ti mesmo! No interior do homem é que habita a verdade. E se achares que também a tua própria natureza é mutável, então transcende-te a ti mesmo” (De vera rei. Cap. 39, nº 72).

Segundo a mentalidade agostiniana, filosofia e teologia andam sempre juntas, e assim se compreende porque interessam à filosofia as obras teológicas e religiosas de Santo Agostinho e vice-versa.


Santo Agostinho após seu batismo aos trinta e três anos de idade, desistiu de seu cargo de professor de retórica em Milão, e voltou a Tagaste na África, onde fundou uma comunidade monástica, disposto a fundamentar racionalmente a fé.

Uma vez batizado, e depois de sua experiência com Cristo, uma luz inundou seu coração, e sua alma encontrou a paz. Até esse momento tinha sido “O homem do coração inquieto”.

Seu anseio por encontrar a verdade absoluta, o levou a mostrar que, sem a fé, a razão não é capaz de levar à felicidade. A razão, para Agostinho, serve de auxílio à fé, esclarecendo e tornando inteligível aquilo que intuímos. Ele tinha tomado contato com o pensamento neoplatônico onde a natureza humana contém parte da essência divina. E demonstrou a partir daí, que há limites para a racionalidade. Por isso, os filósofos devem entender que para compreender a filosofia de Santo Agostinho hão de levar-se em conta os conceitos agostinianos de fé e razão e o modo de como ele se serve deles.


Com efeito, não pode considerar-se Agostinho de Hipona um filósofo, se por tal se entende o pensador que se situa no âmbito exclusivamente racional, pois, como homem de fé que ele é, apela sempre à fé.

Santo Agostinho não se preocupa em traçar fronteiras entre a fé e a razão. Para ele, o processo do conhecimento é o seguinte: a razão ajuda o homem a alcançar a fé; de seguida a fé orienta e ilumina a razão; e esta, por sua vez contribui para esclarecer os conteúdos da fé.

Deste modo, não traça fronteiras entre os conteúdos da revelação cristã e as verdades acessíveis ao pensamento racional. Para Santo Agostinho, “o homem é uma alma racional que se serve de um corpo mortal e terrestre”.

Ele distingue, na alma, dois aspectos: a razão inferior e razão superior. A razão inferior tem por objetivo o conhecimento da realidade sensível e mutável: é a ciência, o conhecimento que permite cobrir as nossas necessidades. A razão superior tem por objeto a sabedoria, o conhecimento das ideias, do inteligível, para se elevar até Deus. Nesta razão superior dá-se a iluminação de Deus.

A Cidade de Deus, que possivelmente seja uma das mais estudadas na filosofia, teve uma grande influência na sociedade e no mundo da Idade Média e, ainda hoje, não perdeu sua atualidade, no nosso mundo moderno.

Santo Agostinho, nessa sua obra tão ponderada, adota a postura de um filósofo da história universal em busca de um sentido unitário e profundo da história.

A sua atitude é, sobretudo, moral: há dois tipos de homens, os que se amam a sí mesmos até o desprezo de Deus (estes são a cidade terrena) e os que amam a Deus até ao desprezo de si mesmos (esses são a cidade de Deus).

A cidade da terra poderá talvez construir-se sobre uma determinada ordem humana, poderá ostentar uma majestosa organização, levar a cabo muitas realizações, mas se por essência se confina nos bens desta terra e já os goza, em vez de unicamente servir-se deles, para um fim ulterior mais alto, superior à concupiscência humana, para um fim que é Deus, então é só desta terra e, no fundo, é pura desordem e o seu valor é na verdade apenas aparente.

A Cidade de Deus ao contrário, consta de homens adaptados à eterna ordem de Deus. Eles não se entregam às coisas externas, para gozar delas ou de si mesmos, mas vivem em Deus e de Deus, uma ordem ideal, que dá ao mundo e ao homem a paz e o descanso sabático de Deus.

Por isso, Santo Agostinho, chegado ao fim de sua vida, começa sua grande obra “As Confissões”, com a seguinte afirmação e anseio, que defino toda a sua vida filosófica e teológica: “És grande, Senhor, e incomensurável tua sabedoria. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do passado e a prova de que resistes aos soberbos. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te. Tu mesmo o incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso”.


Meus sinceros agradecimentos.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Fabricação de Mitos em Série

COMO SURGIU O NATAL

Por Zé da Cuia

Não sou nem pretendo ser o dono nem almejo o controle da verdade, todavia, não me conformo com a deformação dela, para melhor servir a interesses comerciais, ideológicos ou de qualquer outra natureza.

A dominante elite católica romana definiu o dia 25 de dezembro como a data do nascimento de Cristo, escolhendo essa data para comemorar o Natal; é desconhecida a data exata do nascimento de Cristo, mas, com absoluta certeza não foi em dezembro, muito menos no dia 25. A estrela Vésper que segundo a lenda teria guiado os Reis Magos não estava posicionada no céu, daquela maneira, naquela data. Aí o questionamento básico: Por que a escolha desta data? A razão é lógica, simples, e, estrategicamente baseada na metáfora “Quando não se pode com o inimigo alia-se a ele”. Numa situação desfavorável diante de um inimigo, ou nos unimos a ele, ou o absorvemos. Os teologistas alicerçantes do cristianismo, tiveram uma grande luta para impô-lo a agrupamentos civilizatórios que tinham suas próprias crenças, seus próprios costumes arraigados e faziam suas próprias festas; então, o macro empreendimento católico resolveu cristianizar as festas pagãs, como por exemplo, a do Solstício do Inverno, quando se festejava o nascimento do Deus-Sol Invencível (natalis invistis solis) e do deus persa Mitra, o Sol da Virtude. Os romanos celebravam as Saturnalias, dedicadas ao deus Saturno, quando se dançava e cantava nas vias com alegria contagiante e se trocavam presentes. Estes festejos iam de 17 a 22 de dezembro. Impossível não notar semelhança com o Natal (natividade) cristão instituído pelo papa Libério em 354.

Essencialmente o “Espírito Natalino” prega a alegria, a união, a aproximação, a reaproximação e o fortalecimento dos laços fraternos, num distorcimento da ideologia política proposta pelo Velho Jesus, e, da proposta mercantilista do Jesus contemporâneo.

Atualmente o Natal é apenas uma explosão comercial, e a institucionalização do 13º salário dos picaretas que falam em nome de um homem morto jazidos 2000 anos, massacrando e explorando a boa fé do povo ignorante.

“Cristãos de todos os paises, libertai-vos”

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ECO
Por Zé da Cuia

O conceito de inconsciente coletivo é sem dúvida o que de forma profunda une Jung à Mitologia. Os anos de estudo de mitologia o levaram ao conceito e ao seu principal conteúdo. O arquétipo. Jung debruçou-se sobre uma vastidão de materiais mitológicos e gnósticos, chegando a uma desorientação total. Desesperava-se quando tentava compreender o sentido dos psicóticos na clínica. Sentiu-se muitas vezes num asilo de alienados imaginários e começou o "tratamento" de analisar todos os deuses, ninfas, centauros..., do livro de Creuzer, como se fossem seus pacientes.
A maioria das noites como relata o próprio Jung em Memórias, Sonhos e Reflexões esteve mergulhado na história dos símbolos, i.e., na mitologia e na arqueologia onde se encontram fontes valiosas para a fundamentação filogenética da teoria da neurose...

Partindo Jung do estudo de Mitologia Comparada, de Religião Comparada, sendo mitos e religiões vistos como expressões espontâneas da psique humana, da observação de pacientes psicóticos, olhando para seus próprios sonhos (expressão do inconsciente) e sonhos de seus pacientes "normais", conclui que as imagens produzidas espontaneamente pela psique em sonhos, fantasias e mitos, são semelhantes em sua forma e estruturação e a partir daí postula a existência de uma camada psíquica igual a todos os homens, capaz de gerar imagens semelhantes, imagens típicas de seres humanos. Jung trabalhou em hospital psiquiátrico durante nove anos e o paciente psiquiátrico se caracteriza pela substituição do mundo da realidade pelo do inconsciente.

"Nossas opiniões, pensamentos e convicções são produtos de uma camada psíquica na qual se produzem os mitos. Esse estrato criador de mitos funciona como nossos sonhos........As imagens produzidas pela psique podem ser altamente pessoais, mas o drama em nosso palco interior costuma ser uma encenação do drama humano geral. Os artistas e os sábios sempre souberam disso. Nossos problemas particulares - nascimento, morte, relacionamentos, conflitos e a busca de significado - são problemas humanos. Quem estiver passando por um deles tem chance de perceber que essa experiência é uma versão de imagens grandiosas que simbolizam o modo como a humanidade sempre vivenciou esse problema. Jung chamou de arquétipos essas imagens atemporais. São dinamismos que fornecem padrões de comportamento, de emoção e de experiências pessoais que transcendem a história pessoal.......Pode-se considerar os mitos como sonhos coletivos e recorrentes da humanidade."

Essa ligação imensa entre a Psicologia Analítica e a Mitologia permite traçar um paralelo entre a personalidade mítica de Eco e alguns conceitos básicos de Jung; permite-nos olhar para a dinâmica do mito através de um olhar junguiano que naturalmente tende a dar espaço ao mito e ver a necessidade de compreendermos o mito até para que nos conheçamos.

Quanto ao mito, este refaz a história das origens, história sagrada. Se das origens, universal. Quanto mais primitivo, mais de todos. Já vimos alguma ou muitas vezes nossa imagem refletida nalguma superfície lisa algum dia e ficamos perturbados. Surge o questionamento quanto aos contornos refletidos: esses contornos são os nossos? Vemos outro ou vemos a nós mesmos? Por isso Narciso nos interessa, por isso é que ele é histórico.

Poderíamos dizer o mesmo de ECO... Quem não viveu um amor impossível? Um amor tão centrado no outro que justo por isso não pode ser amor? Quem não apenas ecoou palavras? Ficando sem identidade, ficando sem fala! Podemos dizer que Eco nos interessa que é historicamente psicológica.

O meio natural de chegarmos ao mito de ECO é através do mito de Narciso, que foi o seu grande amor. Há alguns autores junguianos que se dispuseram a falar sobre o mito de Narciso e Eco, entre eles: Murray Stein, Patricia Berry, Junito de Souza Brandão, Donaldo Schuler e Nathan Schwartz Salant. Como suporte dentro da Mitologia Grega e ensaios, em se tratando de Narciso e Eco, não poderia deixar de lado: Ovídio em "As Metamorfoses".

A versão mais completa de Narciso é a narração de Ovídio.

O mito de Narciso vem da antiguidade em muitas variações. A principal, e a mais detalhada, aparece nas Metamorfoses de Ovídio. Porém, em qualquer forma que apareça, esta é uma estória cujo principal tema é o amor e a paixão frustrada. Pertence às estórias de Eros, como uma das complicações dentro das complexidades do amor erótico."


* Narciso, Eco (por Ovídio):
Tirésias, cuja grande fama se espalhara pelas cidades da Aônia, dava respostas infalíveis às pessoas que o consultavam. A primeira a experimentar a veracidade de suas palavras foi a cerúlea Liriope, que outrora o Cefiso enlaçara nas curvas de seu curso, e, uma vez presa, a violentara. Belíssima, engravidou-se e deu à luz um filho, já então digno de ser amado pelas ninfas, a quem chamou Narciso. Consultando a seu respeito, se o menino viveria muito, se teria uma velhice prolongada, o adivinho respondeu: "Se não se conhecer". Por muito tempo as palavras do áugure pareceram destituídas de sentido. Mostraram seu acerto a maneira com que se desenrolaram os acontecimentos, o modo como morreu Narciso e a estranheza de sua loucura. O filho de Cefiso tinha, então, dezesseis anos, e podia ser tomado tanto por um menino como por um moço. Muitos jovens e muitas jovens o desejam, mas - tanta tão rude soberba acompanhava suas formas delicadas nenhum jovem, nenhuma jovem o tocara. Quando olhava os trêmulos veados apanhados nas redes, a ninfa de voz sonora, que não responde pelo silêncio a quem lhe fala, e nem fala em primeiro lugar, a ressonante Eco, o viu. Eco tinha, então, um corpo, não era voz apenas; no entanto, já era loquaz e usava da boca, como ainda hoje, para repetir a última de muitas palavras, como faz agora. Juno foi a causadora, pois, quando tinha oportunidade, muitas vezes, de surpreender ninfas deitadas na montanha com seu Júpiter, a esperta Eco a detinha, conversando muito, enquanto as ninfas fugiam. Percebendo tal coisa, disse a filha de Saturno: "Com essa língua, que tanto me fez ser iludida, pouco poderás fazer e terás um uso brevíssimo das palavras.” E executa a ameaça: quando alguém acaba de falar, Eco só pode repetir o que ouviu. Então, quando ela viu Narciso andando sem destino pelos campos, e se apaixonou, seguiu-lhe os passos furtivamente; quanto mais o segue, mais se aquece ao calor da chama, do mesmo modo que o inflamável enxofre, com que se reveste a extremidade das tochas, se queima ao aproximar-se do fogo. Quantas vezes ela quis aproximar-se, com palavras carinhosas, e dirigir-lhe ternas súplicas! Sua natureza a impede de falar em primeiro lugar. Permite-lhe, porém, e ela se dispõe a isso, esperar os sons e devolver-lhe as próprias palavras.

Por acaso, o adolescente, separado do grupo fiel de seus companheiros, perguntara: "Aqui não há alguém?" "Há alguém", respondera Eco. Ele se admira, e olha em torno. "Vem!", grita muito alto; Eco repete o convite. Ele olha para trás, e, não vendo ninguém aproximar-se, pergunta: "Por que foges de mim?" E ouve as mesmas palavras que dissera. Insiste, e, iludido pela voz que responde à sua, convida: "Vem para junto de mim, unamos-nos!" A nada Eco respondera com mais boa vontade: "Unamos-nos!" Ajunta o gesto à palavra e, saindo da floresta, avança para abraçar o desejado. Ele foge, e diz, ao fugir: "Afasta-te de mim, nada de abraços! Prefiro morrer, não me entrego a ti!" Eco repetiu somente: "Me entrego a ti!"

Desdenhada, esconde-se na floresta e protege com flores o rosto corado de vergonha, e, desde então, vive naquelas grutas isoladas. Seu amor, no entanto, é perseverante, e cresce com a amargura da recusa. As preocupações incansáveis consomem seu pobre corpo, a magreza lhe encolhe a pele, a própria essência do corpo se evapora no ar. Sobrevivem, no entanto, a voz e os ossos. A voz persiste; os ossos, dizem, assumiram o aspecto de pedra. Assim, ela se esconde nas florestas, e não é vista nas montanhas. É ouvida por todos; é o som que ainda vive nela.
Assim Narciso decepcionara Eco e outras ninfas nascidas nas águas e nos montes, e, antes delas, outros jovens. Despeitado, um deles ergueu as mãos para o céu, exclamando: "Que ele ame, por sua vez, e não possa possuir o objeto amado!" disse. A deusa de Ramnonte atendeu a essa justa prece.

Havia uma fonte de água muito pura, brilhante e prateada, da qual jamais haviam se aproximado os pastores nem as cabras que pastavam na montanha, nem qualquer outro gado, que jamais fora perturbada por qualquer ave, por qualquer animal selvagem, por qualquer ramo caído de uma árvore. Era rodeada pela grama, que chegava até junto da água, e a floresta impedia que o sol esquentasse o lugar. Ali, o adolescente, cansado pelo esforço da caça e pelo calor, estendeu-se no chão, atraído pelo aspecto do lugar e pela fonte. Mas, logo que procura saciar a sede, uma outra sede surge dentro dele. Enquanto bebe, arrebatado pela imagem de sua beleza que vê, apaixona-se por um reflexo sem substância, toma por corpo o que não passa de uma sombra. Fica extático diante de si mesmo, imóvel, o rosto parado, como se fosse uma estátua de mármore de Paros. Deitado no chão contempla dois astros, seus olhos, os cabelos dignos de Baco e de Apolo, o rosto imberbe, o pescoço ebúrneo, a linda boca e o rubor que cobre a cútis branca como a neve. Admira tudo, pelo que é admirado ele próprio. Deseja a si mesmo, em sua ignorância, e, louvando, é a si mesmo que louva. Inspira a paixão que sente, e, ao mesmo tempo, acende e arde. Quantas vezes beijou em vão a água enganosa! Quantas vezes, para abraçar o pescoço que via, mergulhou os braços na água, sem conseguir abraçar-se! Não sabe o que vê; mas o que vê o inflama, e o mesmo erro que ilude seus olhos lhe excita o desejo. Crédulo, o que consegues com esses vãos esforços? Não existe o que procuras. Afasta-te do que amas, e o verás desaparecer. Essa sombra que vês é o reflexo de tua imagem. Nada é por si mesma. Contigo, ela aparece e permanece; com tua partida desaparecerá, se tiveres a coragem de partires.

Nem os cuidados com a alimentação nem com o repouso, todavia, podem afastá-lo dali; estendido.

Na espessa relva, contempla, insaciável, a imagem mentirosa, e perde-se devido aos próprios olhos.

Erguendo-se um pouco, estende os braços para a floresta que o cerca. "Alguém, ó floresta, sentiu mais cruelmente o amor?", pergunta. “Vós os sabeis e, para muitos, fostes um oportuno refúgio”. Vós, cuja existência atravessou tantos séculos, lembrais, durante todo esse longo tempo, de alguém que tenha sofrido assim? Estou apaixonado, e vejo, mas não posso alcançar o que vejo e me seduz; a tal ponto erro como amante. E, para agravo de minha dor, não nos separa nem o mar imenso, nem a distância, nem montanhas, nem muralhas com portas fechadas, mas uma simples camada de água. Ele próprio aspira a ser possuído, pois cada vez que beijamos a água cristalina, ele procura atingir com a sua a minha boca. Dir-se-ia que podes tocá-la, tão pequeno é o obstáculo que nos impede de amarmos-nos. Seja quem fores, vem! Por que me enganas, jovem sem-par? Aonde vais quando te procuro? Certamente, não tenho uma aparência ou uma idade para te fazer fugir. As ninfas também me amaram. Em teu rosto amigo promete-mes não sei qual esperança, e quando te estendo os braços , estendes, por tua vez, os teus; quando sorrio, sorris; também muitas vezes vi correrem lágrimas dos teus olhos quando eu chorava; a uma inclinação de cabeça, respondias da mesma maneira; e, tanto quanto posso adivinhar pelos movimentos de tua linda boca, dizes-me palavras que não chegam aos meus ouvidos. Somos o mesmo! Não me iludo mais com a minha imagem. É por mim que ardo de paixão e sinto e ateio ao mesmo tempo esse fogo. Que fazer? Ser rogado ou rogar? E o que, de agora em diante, poderei rogar? O que desejo está comigo; a riqueza me faz pobre. Oh! Se eu pudesse separar-me do meu próprio corpo! Desejo desusado em um amante queria estar separado do que amo! E já o sofrimento abate o meu vigor, não me resta muito mais tempo a viver e me extingo na flor da idade. A morte não me assusta, pois com a morte aliviarei o sofrimento. Para aquele que amo desejaria vivesse mais. Agora, exalaremos juntos o último suspiro."

Disse, e, com a razão perturbada, voltou à mesma contemplação. As lágrimas turvaram as águas e, no lago agitado, a imagem se tornou indistinta. E, ao vê-la desfazer-se, ele gritou: "Para onde foges? Fica, não me abandones, cruel, eu que te amo! Que me seja permitido olhar o que não posso tocar e alimentar a minha triste loucura". Enquanto se lamenta, abre as vestes, desde o alto, e esmurra o peito nu com as mãos esculturais. Com as pancadas, o peito se tinge de vermelho, como acontece com as frutas, que, alvas em parte, em parte enrubescem, ou como, nos cachos variegados, a uva, ainda verde, se colore de púrpura. Quando o viu, na água cristalina de novo, não pôde suportar por mais tempo, mas, como costumam se derreter a loura cera ao leve calor do fogo ou o orvalho matinal ao morno sol, assim, esgotado pelo amor, ele definha, e um fogo secreto o consome, pouco a pouco. Agora, sua cútis já não oferece a alvura misturada ao rubor; nem restam o vigor e o ânimo que seduziam os seus olhos; nada resta do corpo que outrora Eco havia amado. Essa, ao ver tal coisa, embora ainda ressentida com o agravo, apiedou-se, e todas as vezes que o infortunado adolescente exclamava "Ai!", ela repetia "Ai!" Quando as mãos lhe esmurram os braços, ela repetiu com sua voz o ruído das pancadas. Foram as últimas palavras de Narciso com os olhos postos naquela água já tão conhecida: "Ah, querido em vão!", e o local devolve todas as palavras. E dizendo "Adeus!", responde Eco "Adeus!" Ele repousa na verde relva a cabeça fatigada, e a noite fechou-lhe os olhos cheios de admiração pelo dono. E mesmo depois de ter sido recebido no inferno, ainda se olhava na água do Estige. As náiades, suas irmãs, choraram em altas vozes e depositaram os seus cabelos no túmulo do irmão; choraram as dríades; Eco repete os seus lamentos, e elas já preparavam a pira, as tochas e o féretro. Em lugar do corpo, acharam uma flor dourada, rodeada de folhas brancas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

“Homo homini venatu”

Opostos: Framenguistas X Flamenguistas
Por Zé da Cuia

Enquanto no primeiro domingo deste dezembro os framenguistas se divertiam matando uns aos outros, saqueando lojas e supermercados, e quebrando tudo que viam pela frente. Os flamenguista planejavam a venda dos jogadores a preços superfaturados pela conquista duvidosa do campeonato tupiniquim de futebol.

Vimos durante o certame inteiro os meios de comunicação convidando o povo a torcer por seus times de futebol. Presenciamos os mesmos meios de comunicação promovendo situações que aguçam a rivalidade entre as torcidas adversárias, para ao término do campeonato chamarem de selvageria o que aconteceu nas cidades de Curitiba e Rio de Janeiro.

Chamar de selvageria o que os framenguistas fizeram, é por em dúvida o nível intelectual dos “cara pálida”. Sabemos que na selva não acontece aquele tipo de massacre.

A barbárie promovida pelos framenguistas mostra o homem próximo do estado de natureza. Mas os primeiros hominídeos os Australopithecus matavam apenas para comer. Diferentemente dos Ardipithecus framengus que comumente habitam os presídios brasileiros, ainda hoje roubam e matam tão somente por diversão. Essa parece ser a conexão entre o Australopithecus e o Ardipithecus framengus como duas espécies diferentes. A diferença mais importante entre essas duas figuras da história do homem é a presença da razão no Australopithecus que biologicamente conseguiu evoluir.

A origem da guerra entre as torcidas e a guerra interna de uma torcida é a rivalidade insana do futebol. O chamado "povão" a parte menos racional da sociedade se envolve mais com futebol que com questões ligadas à evolução, desenvolvimento, progresso ou à família, por exemplo. O que fazer para estancar essa violência irracional? Uma partida de futebol é só uma partida de futebol. Infelizmente a "paixão" pelo esporte acaba acobertando verdadeiras escolas do crime.

Diz o filósofo inglês: “Homo homini lupus” (o homem é o lobo para outro homem). O que domina é a força bruta, o dinheiro, a fraude, a mentira, a calúnia, a devassidão e por aí em frente. A situação é momentosa e revela uma intrínseca crise de valores por que passa a massa contemporânea. A violência vai, gradativamente, consolidando-se como uma linguagem universal entre os jovens. Os meios de comunicação servem de instrumento para a articulação de encontros entre "gangues" de torcidas, que usam o futebol para canalizar suas energias, deflagrando cenas de revolta e brutalidade.

O vazio cultural também encontra ressonância nos jogadores profissionais de todo planeta, cujos hábitos e valores já não servem de exemplo como outrora. Ao valorizar a posse de bens materiais, a sociedade de consumo ajuda a pintar um quadro, no qual futebol, comércio e violência formam cada vez mais, partes de um todo de difícil separação.

A evolução precisa continuar, é preciso enfrentar o problema com pragmatismo, requerendo a intervenção direta do Estado e a mobilização social. Faz-se necessária uma revolução ética e moral nos procedimentos. Torna-se imprescindível um surto de honestidade nos dirigentes dos clubes e nos dirigentes dos organismos que controlam o futebol. Torna-se indispensável um surto de decência nos controladores da arbitragem e da imprensa. É preciso aplicar medidas políticas, jurídicas e administrativas que sejam viáveis para transpor essa triste página do esporte nacional.

Também não adianta implantar o Estatuto de Defesa do Torcedor (em vigência desde 2003) se o torcedor não tem educação. O Estatuto é falho, necessita de reforma, no sentido de criminalizar ações de vandalismo praticadas por falsos torcedores. Há torcidas organizadas funcionando como verdadeiras associações, com sede própria, estatuto, CNPJ e corpo diretivo. À primeira vista, nada de errado, pois são grupos legítimos com os quais o Estado deve dialogar. Entretanto, há casos em que dirigentes de times criam laços promíscuos, permitindo a franquia do ingresso pelas facções das torcidas organizadas, estabelecendo-se uma relação tipicamente comensal.

Dizem que o Brasil ta pronto pra organizar a Copa de 14, o Brasil precisa agir rápido. Há que promover a especialização de efetivos da polícia para atuar diretamente em ocorrências relacionadas a eventos esportivos. O Estado deve investir em recursos humanos e tecnológicos, como a implantação de um banco de dados informatizado, que reúna elementos úteis para uma ação de inteligência integrada por parte da polícia, Ministério Público e Poder Judiciário.

O combate à violência no futebol brasileiro só será eficaz quando o tema for inserido, de fato, no contexto macro da realidade nacional. Não adianta partir para a radicalização, pedindo a eliminação das torcidas organizadas. Isto atenta contra a democracia, já que representaria o fechamento de um espaço de convivência plural, que agrega cidadãos de diversas classes sociais.

Medidas enérgicas fazem-se prementes para frear o quadro tirânico e opressor reinante em nosso futebol. Ao mesmo tempo o Estado tem que se fazer presente na periferia, com campanhas sócio-educativas de inclusão social através do esporte lúdico, não somente fomentando a imprensa sensacionalista grande motivadora da violência no esporte.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

As Máscaras de Deus
Por Zé da Cuia
A totalidade do que vemos é o reflexo do que queremos ver. É tudo uma simbiose de espelhos... Espírito, sociedade, psique, história, mitologia. O universo é um grande labirinto de espelhos, e não dispomos do fio de lã de Ariadne. Nesse labirinto somos jogados e transformados diversas vezes, para no fim não passarmos de mais que uma imagem opaca de um reflexo distorcido, igual no princípio. E o jogo continua como se fossemos artistas numa grande arena imitando a vida...

A estrutura formada por sociedade e história com a proposição de formar o mundo externo não é mais que um reflexo da psique que pressupõe o mundo interno, as macro e micro dimensões, além da mitologia contém os símbolos representativos de um mundo e do outro.

Os primeiros contatos interno e externo de qualquer ser humano é com a mãe. A mãe é o nosso primeiro e grande amor, quiçá o único. É dela que nascemos, após um período natural determinado. É daquela figura gigantesca que percebemos as primeiras manifestações de carinho. É dela que recebemos o primeiro alimento, calor, aconchego, sorriso, amor... Essa figura é feminina e está sempre solícita a prover todas as nossas necessidades. É a deusa mãe.

Já num futuro breve momento surge a figura paterna. Ele também é gigantesco, e apresenta mais pujança que a mãe, também externa carinho, e, por sua robustez parece ser capaz de tudo, e saber de tudo. É o deus pai.

Esse deus pai e essa deusa mãe muitas vezes entram em rota de colisão. Muitas vezes deixamos de receber o carinho materno, porque a mãe tem que cuidar do pai. Édipo ficaria com raiva do pai, e em consequência sentiria medo, pois o pai é muito poderoso, capaz de destruí-lo. Sentimos culpa por amar e odiar o pai, ao mesmo tempo. Alimentamos o “complexo” para o resto da vida.

O estudioso de mitologia, Joseph Campbell, em seu livro “As máscaras de Deus”, relata como ao longo do tempo – lá na Antiguidade – foi ocorrendo uma inversão ao culto de divindades, da ordem do Matriarcado para o Patriarcado. A mitologia grega e a mitologia bíblica já constituem o período patriarcal, quando a divindade dominante é uma figura masculina, Zeus e Deus, e é característica a punição implacável, o medo, a culpa, o terror.

Um enorme seriado de imagens antigas, relacionadas à mitologia primitiva, pré-homérica, mostra uma divindade feminina ao lado de uma árvore contendo frutos, e uma serpente, e uma figura masculina que pode estar representada pela própria serpente. Essas imagens contêm um caráter idílico, como um jardim da inocência, sem qualquer conotação de culpa.

É daí que vem o combustível que alimenta o mito distorcido do paraíso de Adão e Eva. Uma árvore, o fruto proibido, a cobra tentadora, o pecado. Como se vê na cena bíblica – ordem do patriarcado – já está insuflada com a idéia de culpa. A própria imagem de Eva nascendo da costela de Adão demonstra a inversão patriarcal, dando proeminência ao homem. É imperativo que todos nós nascemos da mulher, assim como tudo nasce da mãe, e tudo que é mãe nasce da terra, por isso nas mitologias primitivas a Deusa Mãe era relacionada à Deusa Terra.

E assim seguimos sob os desígnios dos muitos deuses e deusas, e nos alimentamos do reflexo de muitos espelhos...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Visão da ACAF

As pessoas e suas formas de organização (famílias, grupos, agrupamentos, comunidades e sociedade) numa visão holística são os verdadeiros agentes de promoção do desenvolvimento econômico e do avanço tecnológico que está transformando rapidamente o nosso planeta numa aldeia global. A história do tempo presente parece conduzir os homens para uma vida cada vez mais ecumênica e coletiva, no entanto, perguntamo-nos, será o homem meramente o produto de suas relações de trabalho e produção?
Com a crescente interdependência de todos, o bem estar da humanidade necessita cada vez mais de uma consciência e liberdade pessoais que permitam uma verdadeira ação cooperativa em nível local, regional, nacional e internacional. Todavia é fundamental que exista uma consciência cultural; é fundamental que saibamos quais culturas e valores deverão prevalecer nesse imenso espaço intelectual – a pessoa humana é mais do que aquilo que faz ou produz; ela não pode e não deve ser reduzida a estatísticas, sendo transformada num servo do Estado ou numa engrenagem do mercado.
Todas as ações humanas eficazes surgirão dessa tomada de consciência, e terão como consequência o desenvolvimento moral e intelectual de cada pessoa. Esse ambiente bem-sucedido permitirá que metas como a preservação do meio ambiente, do patrimônio cultural, a promoção dos direitos humanos, a responsabilidade dos pais pela escolha pedagógica e educacional dos filhos menores, a promoção dos valores e consequente avanço social, façam parte do cotidiano das pessoas num esforço conjunto para realizar o sonho de “menos Estado e mais Sociedade”; um país de melhores práticas sociais e de instituições mais confiáveis, em suma, um país mais livre, próspero, justo e virtuoso.
Para o sonho se tornar realidade, a participação e interação dos setores cultural, religioso, acadêmico e empresarial se torna crucial pela capacidade criadora, pela possibilidade de captar recursos humanos e financeiros, bem como pela liderança que cada um deles exerce nas suas áreas de atuação. Tais setores são poderosos agentes de transformação e devem refletir o respeito pelo infinito valor de cada pessoa humana e servir de exemplo, por intermédio de suas práticas, para as futuras gerações. Ao adquirir respeito pelas pessoas, nossos colaboradores ganham o respeito e a admiração das comunidades que são impactadas por suas atividades, passando a ser gratificadas com o reconhecimento de suas ações.
Estamos num momento em que diversos setores da sociedade estão redefinindo seus papéis e não podemos deixar de acrescentar nessa agenda a experiência da dignidade, do valor e da ação humana como fundamento de uma estrutura comunitária que afirme a singularidade (sem personificação) de cada pessoa humana, permitindo sua plena participação na ordem social, vivenciando os desdobramentos filosóficos, culturais, econômicos e legais, com sua proposta radical de valorização do humano.
Ao trazer essa proposta de vanguarda para todos os cenários culturais, a Academia Acreana de Filosofia abre novas perspectivas para o surgimento de um mundo mais humano e socialmente mais justo para as novas gerações, pretendendo ser o recurso intelectual mais respeitado, por propor uma mudança de paradigma, além de se tornar centro de referência e contra-referência para estudos, pesquisas e debates.
Missão da ACAF

A missão da Academia Acreana de Filosofia é disseminar a prática do conhecimento e dos valores morais na sociedade, ajudando as comunidades científicas e meio acadêmico a:

1 - Compreender e incorporar de forma progressiva os conceitos de Ética e Moral, bem como ampliar o entendimento do Direito Natural e do princípio de liberdade;

2 - Implementar políticas e práticas culturais e educacionais que atendam a elevados critérios éticos, contribuindo para melhorar o nível técnico-científico do capital humano;

3 - Assumir responsabilidades com todos aqueles que são impactados pelas atividades da instituição, criando uma rede de relacionamentos e parcerias de forma a congregar e disseminar as informações dispersas na sociedade, fazendo interagir talentos e permitindo aflorar a criatividade;

4 - Demonstrar à sociedade acreana a necessidade de reforçar o Estado de Direito e as instituições democráticas, também, as inter-relações entre trabalho e educação, ressaltando o caráter vocacional da atividade filosófica e o papel do cidadão como ancoradouro do desenvolvimento moral e ético;

5 - Identificar formas inovadoras e eficazes de atuar em parceria com as comunidades na construção do bem-estar comum promovendo e apoiando ações que visem à preservação, conservação, defesa e recuperação ambiental e do patrimônio histórico-cultural;

6 - Promover a cultura ocidental, a liberdade individual, econômica e política, baseadas na dignidade humana e nos valores individuais, contribuindo assim, para um legítimo desenvolvimento social e humano;

7 – Promover o debate em defesa das causas pacifistas, dos direitos humanos, dos princípios e direitos individuais e coletivos, da ética, da paz, da cidadania, da democracia e de outros valores universais estabelecidos em Lei ou costumeiros;

8 - Colaborar e interagir com organizações e entidades públicas e privadas, municipais, estaduais, nacionais, internacionais ou multilaterais. Desenvolvendo pesquisas e estudos técnicos e científicos, diagnósticos, consultorias, projetos, planos, programas e metodologias sócio-econômicos e educacionais para o desenvolvimento humano dentro da perspectiva sustentabilista.

9 – Promover palestras com intuito de fazer o interlocutor pensar e não receber o saber pronto, torná-los cientes da interação com o meio em que vive, e perceber a valorização do que representam na sociedade (axiologia). Torna-los cientes de que são seres pensantes, revelar e fazer fluir a originalidade de cada idéia.